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Nápoles, de Pompeia ao Vesúvio

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Polvos vivos em bacias com água, vermelhíssimos tomates do Monte Vesúvio expostos em montinhos e rodeados das mais variadas ervas aromáticas, fatias de pizza vendidas em cada esquina, centenas de motas a cruzarem continuamente as ruas e milhares de mãos no ar a acompanhar as palavras, que se escutam muito alto. Este poderia ser um bairro de periferia da cidade mas é o seu epicentro mais interior, aqui se percebe a dinâmica desta cidade que se faz de pessoas e para as suas pessoas. Nápoles vai buscar mais inspiração ao norte de África do que às suas cidades irmãs do norte de Itália.

Primeiro escutei um som metálico, depois outro com maior intensidade, olho em redor para tentar perceber o que se passa e vejo dois meninos, teriam seis e oito anos que, com um martelo, tentavam partir a corrente metálica que unia uma bicicleta a um poste de electricidade. Centenas de pessoas cruzavam a Piazza Garibaldi, polícias em algumas esquinas, parecia que apenas eu os estava a ver em acção e uns segundos depois, seguiam rua fora com o veículo furtado diante da minha maior estupefacção (a Máfia, ainda mora aqui, a Camorra napolitana). Parece inverosímil começar uma declaração de amor a uma cidade com um roubo mas o amor não é isso mesmo, aceitar o bom e o mau? Com o devido cuidado (nenhuma aparente nem exagerada ostentação de riqueza), Nápoles abre-se ao visitante de uma forma bela e cativante.

Ela não é, nunca foi, uma cidade museu como Roma, Florença ou Veneza, é uma cidade de pessoas, feita delas e em cada esquina por elas, é um dos locais mais carismáticos e apaixonantes de Itália. Tudo nela é intenso e vibrante, desde o movimento caótico das suas ruas ao conhecido fulgor dos seus habitantes. Não é por isso de estranhar que Fabiana Esposito, bióloga de 33 anos, defina a sua cidade como “Generosa, apaixonante e vibrante. Adoro escutar a tammurriata na rua [música popular típica], especialmente em Spaccanapoli onde a música é projectada céu acima pelas ruas estreitas do bairro”. E é ao som da música que os nossos passos nos levam até ao interior da Catedral, na Via Duomo, um antigo templo dedicado ao Deus Neptuno. Da sobriedade e imponência desta igreja visitamos a mais recatada Capella di San Gennaro, que alberga relíquias do santo padroeiro da cidade.

Numa cidade com mais de um milhão de habitantes (é a terceira maior cidade do país), é fácil ficar momentaneamente desnorteado pelo que recomendamos que descubras, com calma e tempo, as ruas mais incógnitas do centro histórico. Na Via San Biagio dei Librai, perde-te no insólito Hospital das Bonecas (Ospedale delle Bambole) e, na mesma rua, descobre o charme das lojas de artesãos que se espalham até à Via Benedetto Croce. Uma surpresa irá aguardar-te, a imponente fachada renascentista do Palácio Marigliano. Daí ao Museu Nacional de Arqueologia é um pulinho. Este é um dos museus imperdíveis da cidade, do seu espólio contam artefactos provenientes de Herculanum e Pompeia, frescos, mosaicos e impressionantes esculturas que retratam aquelas que foram duas das cidades mais vibrantes do Império Romano.

Passear pelos bairros mais pitorescos de Nápoles, pelo Spaccanapoli, o antigo coração da cidade, parando para provar e apreciar a comida típica local (foi aqui que a pizza foi inventada) e falar com os seus habitantes, é uma experiência única e revigorante, que recomendamos vivamente.

Vesúvio

Fora da cidade é imperdível a subida ao topo daquele que é um dos vulcões mais conhecidos do mundo, ainda activo, o belo e imponente Vesúvio. Do centro de Nápoles e através da Linha Circumvesuviana, o comboio leva-nos num instante até muito perto daquele que é o maior vulcão de Itália. A sua última erupção ocorreu em 1944 e hoje toda a sua zona envolvente é parte integrante de um Parque Nacional. A subida à sua cratera é relativamente rápida, 1281 metros de fácil acesso a pé, sendo por isso frequente encontrarem-se famílias com animais de estimação e bebés a galgorrearem juntos a subida, numa animada diversão familiar. Do topo da incrível cratera, ainda activa e fumegante, avista-se a belíssima Baía de Nápoles, com o azul do mar em nítido contraste com o verde da paisagem. Este é um dos locais imperdíveis a quem se desloca à Catania.

Pompeia

Muito perto de Nápoles, a singular e lendária Pompeia, um dos locais arqueológicos mais importantes do mundo, atrai milhares de visitantes durante todo o ano. Depois da azáfama das ruas napolitanas, passear nestas milenares ruas, é um verdadeiro prazer para os sentidos. No ano 79, uma violenta erupção do Vesúvio enterrou sob cinzas toda a cidade e durante 1700 anos ela permaneceu um enorme segredo. Por este motivo, a cidade romana encontra-se muito bem preservada, um testemunho incrível com 2000 anos de história, sendo por isso mesmo Património Mundial da Humanidade e um dos mais fascinantes e importantes locais arqueológicos de todo o mundo. Deambulamos pelas ruínas numa completa lição viva de cultura, arqueologia e história. Actualmente, vivem na moderna cidade de Pompeia cerca de 25000 pessoas, testemunhos presentes de todo um passado de esplendor e glória.

Capri

No filme O Desprezo, de Jean Luc Godard, Brigitte Bardot desfila sensualidade em direcção a um cristalino mar enquanto discute fervorosamente com o marido e assim, numa sensual cena de amor, imortalizou para sempre a ilha de Capri no mundo cinematográfico. O cinema desde sempre recorreu ao charme misterioso e à beleza estonteante desta ilha italiana, uma imagem não vale pois por mil palavras? Depois dos dias recheados de história da Catania, esta será a altura ideal para a descoberta da mundialmente famosa Ilha de Capri. O topo do Monte Solaro permite-nos apreciar a vista inigualável desta pequena ilha e antecipar o mergulho nas suas águas cristalinas e verde esmeralda do Mar Tirreno, num descanso mais do que merecido. A ilha, que é reconhecida pela sua beleza natural e charme, divide-se em Capri e Anacapri, e em dois portos, a Marina Piccola e a Marina Grande. Indispensável é a visita a uma das grutas mais conhecidas do mundo, Grotta Azzurra, que faz plenamente jus ao seu nome, ostentando as águas um azul impossível.

Quer gostes de cultura urbana, sejas um adepto da natureza mais requintada ou apreciador de história, a Campania nunca te desiludirá. Está na altura de descobrir Nápoles, a Bela Rebelde, cognomes justos e merecidos de uma topografia maior.