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Para quem gosta de viver

Um testemunho da viajante Teresa Brito, que levou recentemente os sete netos a conhecer a Turquia numa experiência customizada, liderada por Rafael Polónia

Em 2016, procurei uma viagem à Arménia, país com que andava a sonhar. Havia algumas naquele regime que não me agrada: avião, autocarro, hotéis com muitas estrelas e, no meu caso que viajava sozinha, ou um suplemento economicamente pesado, ou partilhar o quarto com uma desconhecida. Nem pensar!

Pesquisei online e por diversas vezes apareceu-me a Landescape. Como o nome não me dizia nada, nunca abri e como tal não viajei. No ano seguinte, fiz o mesmo, mas desta vez à 100ª vez abri o site. Dois minutos depois, estava a inscrever-me por e-mail, dizendo “quero visitar a Arménia e é convosco”. No entanto, fiquei tão empolgada com a ideia que telefonei logo a seguir, talvez, na minha desconfiança, para perceber se de facto a agência existia.

Na internet não se vê nada nem ninguém e eu prefiro este contacto pessoal. Atenderam-me com um “Sim, Teresa» que me surpreendeu, agradou e conquistou. Já não sei o que dissemos, mas perguntei se podia viajar sozinha, visto que me tinha parecido “uma viagem com alguma aventura” e eu fazia no dia seguinte 71 anos. Já estávamos no fim de Junho e a viagem era no início de Agosto. Sei que disse a minha idade e acrescentei  “não tenho doenças, não preciso de nada de especial”.

Começou assim o meu romance com a Landescape. A partir deste dia, nunca mais me lembrei que tinha de partilhar o quarto com uma desconhecida. Nunca mais! Só pensava em ir. Chegou o grande dia e conhecemo-nos na Arménia. Cheguei ao quarto e ocupei as duas camas. Uma, com um livro, a outra comigo. Depois saí para dar uma voltinha. Quando cheguei, estava a desconhecida no quarto. Só então me lembrei do pormenor. Foi mais que pacífico. Pedi desculpa pelo abuso e acabou ali aquilo que tinha sido um papão. Começou a festa! Esta viagem foi uma festa. Parecia que já nos conhecíamos há anos! Tudo bem, sempre. O grupo funcionou com imensa alegria, cumplicidade e muita amizade ao fim de pouco tempo. Claro que o nosso líder, o Rafael Polónia, com a sua boa disposição, sentido de humor, inteligência, segurança contagiante, contribuiu seguramente para isso. Logo no final desta viagem, combinámos a do ano seguinte: Uzbequistão, por sugestão do próprio Rafael e por (quase) unanimidade do grupo. E fomos! E foi outra festa. E foi outra vez excelente! Foi aí que talvez tenha feito a maior aventura: fiquei sozinha (numa subida que achei melhor não fazer), deitada debaixo de uma árvore, tendo por almofada a mochila do Rafael cheia de dinheiro! Sim notas, do banco! Naquele país para se pagar qualquer coisita era preciso um saco de notas e eu fiquei como fiel depositária desse dinheiro. E não tive medo, imagine-se. Havia de ser cá! Outra aventura: era preciso passar para o outro lado de uma montanha e o caminho tinha de ser feito agarrando cordas e tendo alguma confiança na vida. Tive e passei.

Durante esta viagem, idealizei uma nova experiência, desta vez com os meus sete netos mais velhos (dos treze aos vinte e cinco anos). Falei com o Rafael que me apresentou duas hipóteses: a Turquia, com Istambul, Capadócia e Antália ou, em alternativa, O Expresso do Oriente. Os netos votaram por voto secreto, sem influências familiares e ganhou a Turquia por seis votos! Lá fomos os oito e passámos treze dias fantásticos! Subimos, descemos, saltámos, andámos num vale com água quase pela cintura, estivemos na praia, em ruínas, caminhámos sob um sol abrasador, andámos de balão e, claro, fomos às compras em Istambul! Foi muito, muito bom. Para os netos, para os primos, para os irmãos, para o Rafael Polónia (que nos aturou, mas mostrou claramente que tinha desfrutado da experiência) e para a avó. Penso que ficará para sempre nas nossas memórias!

Cheguei a 9 de Agosto e parti para a Colômbia a 10. Sempre em festa, mas esta festa foi mais dura. Não tive tempo para descansar, mas foi muito bom, na mesma. É lindíssimo este país, também. O registo foi o mesmo. Caminhar, subir, subir, subir. A pé, a cavalo, de jeep. E, muito longe de casa, as subidas custam mais a fazer, embora valha a pena. O que se sente nestas viagens, o que se vê, o que se cheira, o que se toca, o que se ouve…vale a pena, vale muito a pena. Ficamos a conhecer-nos melhor, estamos na natureza e somos parte dela, sem máscaras, sem distância.

Já se pensa em qualquer coisa para o ano, embora para já ainda não definido. Guatemala? Sudão? O mundo é tão grande e tão curioso, seja onde for, será seguramente bom, para alguém como eu que gosta de viver!