O turismo responsável e o compromisso com o bem-estar animal

Uma das consequências diretas da evolução humana foi o afastamento da sociedade face à natureza. A criação de grandes centros urbanos, densamente populados e sem áreas verdes; o domínio da tecnologia em detrimento das atividades manuais, com um impacto consideravelmente maior no território; as necessidades crescentes de consumo alimentar que decorrem do aumento da população mundial e promovem a exploração dos nossos recursos, muitas vezes de forma ilegal e indescriminada; fez com que progressivamente o ser humano se afastasse da sua matriz, relegando para o período de férias ou para pequenas escapadinhas ao longo do ano esse reencontro com a natureza. Um reencontro absolutamente necessário à nossa saúde física e mental, diga-se!

 

A necessidade de estarmos em contacto com a natureza 

Talvez seja esta necessidade a razão por trás de algumas pessoas comprarem ou capturarem animais selvagens para criá-los como animais de estimação, o que implica retirá-los do seu habitat e sujeitá-los a um ecossistema que não é o seu. Na minha opinião, esta forma de cativeiro, absolutamente condenável, é um acto de puro egoísmo e promove um mercado negro de práticas muito duvidáveis onde o único objectivo é lucrar. Do mesmo modo, pode ser essa a motivação para a procura de experiências de lazer e viagens que possibilitem algum contato com a fauna. Mas será que isso é bom? Depende! Quando visitamos um parque nacional ou uma reserva protegida, por exemplo, contactamos de perto com os animais no seu ambiente natural, livres, e cumprindo o seu papel na natureza. Está tudo certo aí porque somos meros observadores e o nosso impacto no ecossistema é reduzido. Se formos adeptos de birdwatching, numa outra perspectiva, é possível tomarmos contacto com algumas dessas espécies sem sequer sair da cidade, e também aqui o nosso impacto é praticamente inexistente.

No entanto, se o nosso conceito de lazer implica espetáculos com golfinhos, montar ou dar banho a elefantes, nadar com botos ou tirar selfies segurando animais, então claramente o caso muda de figura. Atualmente, para teres uma ideia, cerca de três mil golfinhos vivem em cativeiro com o único propósito de entreter turistas!

Estes dóceis e carismáticos animais são privados de comida durante os treinos, forçados a reproduzir-se para, de seguida, serem separados das suas crias, usados como pranchas de surf em espetáculos para multidões e com música alta, forçados a suportar um fluxo interminável de turistas à procura da selfie perfeita, além de viverem em piscinas milhares de vezes menores que os seus habitats naturais.

Se pensarmos na situação dos elefantes, a crueldade que tem vindo a ser praticada é ainda pior. Até janeiro de 2020, 3.837 elefantes eram explorados para turismo na Tailândia, Índia, Laos, Camboja, Nepal, Sri Lanka e Malásia, gerando entre 581,3 milhões de dólares a 770,6 milhões de dólares por ano.

Dá para imaginar que 63% desses elefantes vivem em condições severamente inadequadas?

Também aqui, os animais ficam longos períodos de horas sem comer, sendo submetidos a agressões físicas para os deixar submissos. E os cuidados veterinários são limitados ou mesmo inexistentes.

A missão da Landescape nos destinos que promove

Num mundo que anseia por aventuras exóticas, a Landescape surge como um espelho de ideais sustentáveis, não apenas para explorar paisagens deslumbrantes e criar memórias inesquecíveis, mas também para acentuar o significado de turismo responsável e, sempre que possível, regenerativo. Não procuramos apenas um planeta mais verde, procuramos dedicar-nos a planear viagens que impulsionem negócios locais e onde o respeito pela natureza e pelos animais esteja salvaguardado. Deixo-te de seguida alguns exemplos que espelham esta nossa preocupação em destinos onde, infelizmente, ainda há uma exploração abusiva dos animais.

Petra, uma das sete maravilhas do Mundo e um dos principais pontos de atração num roteiro de viagem pela Jordânia – Para quem já visitou o complexo, que é muito maior do que somente a Fachada do Tesouro que normalmente vemos nos postais, sabe que para conseguirmos ter uma panorâmica geral e percorrer alguns dos seus trilhos, estamos a falar de caminhar vários quilómetros por dia sendo que uma grande parte do trilho se faz subindo e descendo escadas. Por isso mesmo, é comum sermos assediados ao longo do dia por beduínos locais que nos propõem utilizarmos os seus burros e cavalos para o percurso, reduzindo assim a nossa taxa de esforço. No entanto, esta prática não é regulamentada pelo Ministério do Turismo nem tampouco autorizada pela UNESCO, apesar de representar para os beduínos locais uma fonte de rendimento alta. Resultado: muitos dos miúdos que têm a tarefa de aliciar os turistas não vão à escola e muitos destes animais vêm-se a braços com problemas de saúde, nomeadamente nas articulações, devido ao esforço sobrehumano de todos os dias subirem e descerem carregando turistas no dorso;

A nossa viagem à Guatemala não é exceção. Ao fazermos o trekking de ascensão ao vulcão Acatenango, de onde se podem observar as explosões de lava do Vulcão Fuego, encorajamos os nossos viajantes a percorrer este caminho sem o auxílio dos burros, devido ao esforço significativo a que esta subida obriga, pensando no bem-estar do animal que não escolheu realizar este trajeto, ao contrário dos nossos viajantes aventureiros;

O mesmo se aplica à viagem da ColômbiaNo Parque Nacional de Tayrona, conhecido pelo encontro entre selva e mar e considerado um paraíso para amantes de natureza, alcançar as suas praias paradisíacas exige esforço. Há a opção de se fazer o percurso a pé, caminhando durante cerca de 30 minutos, opção que elegemos na Landescape, ou a cavalo. Assim como no Vale de Cocora, onde esta opção também existe, mas a rejeitamos.

Entender como podes ser um viajante consciente é crucial para a existência de um turismo responsável. A Internet oferece inúmeros recursos, nomeadamente ao nível de matérias informativas sobre o tema, como o portal SAPO, que destaca atividades com animais a serem evitadas ou este mesmo artigo que agora partilhamos contigo; ou o blog de ”Proteção Animal Mundial”, que promove uma petição para pressionar empresas, que continuam a vender atrações com animais selvagens em cativeiro, a pararem com estas práticas. O turismo responsável implica escolher não visitar atrações prejudiciais aos animais. Assim o papel da Landescape é recusar a inclusão destes locais nos nossos roteiros, alertando sobre as práticas cruéis associadas.

Ao optar por experiências responsáveis, tornamo-nos defensores da vida selvagem, contribuindo para a preservação destes preciosos ecossistemas.

Convidamos-te a fazeres parte desta jornada consciente, onde a beleza da natureza é apreciada sem comprometer o bem-estar dos animais.

Em África:

  • Namíbia, Botsuana e Zâmbia, da imensidão dos desertos que se estendem até ao mar à inegável migração de vida selvagem que prolifera livremente à nossa volta. Vais poder observar os Big 5 em segurança, no seu habitat natural, numa viagem totalmente feita em regime overland com o nosso líder, especializado em vida selvagem e formado no Parque Nacional Kruger;
  • Tanzânia e Zanzibar, ao longo de quatro dias, vais sentir o fascínio da savana africana, percorrendo alguns dos maiores parques naturais de África e observando mamíferos de grande porte, aves e répteis. Já na zona da costa, em Zanzibar, prepara-te para ficares rendido à biodiversidade marinha. Limita-te a fotografar e nunca toques nos corais;
  • Uganda e Ruanda, um destino onde tens a oportunidade de avistar chimpanzés e os grandes gorilas de montanha, sem ser invasivo e apoiando diretamente o trabalho destes rangers que são também guardiões destas florestas.

Na América Central:

  • Costa Rica, um paraíso de vida selvagem, com diversos parques naturais à tua espera. Prepara-te para observar uma grande diversidade de vida marinha e terrestre, quem sabe ver algumas preguiças e, se viajares connosco em Agosto, presenciar a migração das baleias e golfinhos;
  • Guatemala dá-te a oportunidade de fazeres parte de uma expedição de trekking de 2 dias pelo Camino del Jaguar e visitar selva adentro o habitat natural deste incrível felino, o jaguar, um projeto que ajuda a preservar a fauna e flora deste corredor verde que se inicia no Belize e se estende até ao México;

Na América do Sul:

  • Bolívia e a nossa viagem à Bolívia e Chile que te vai surpreender pela riqueza da sua paisagem andina, repleta de lamas, alpacas, vicuñas e outros mamíferos típicos do altiplano que vagueiam livremente pelo território. Vais ainda observar os milhares de flamingos que se alimentam das lagoas da Reserva Natural de Eduardo Avaroa;

Na Ásia:

  • Nepal, onde para além dos animais que te vão cumprimentar durante o trekking dos Annapurnas – como o macaco Langur -, poderás observar na visita ao Templo dos Macacos, os próprios, a fazer poses naturais muito engraçadas. Não te esqueças que eles são os donos deste espaço;
  • Em Bali e nas Filipinas conhece os paraísos de aventura pelo meio da vida selvagem. Do snorkeling e canyoning, ao contacto com os animais terrestres nas florestas destes espaços idílicos;
  • Pelas selvas perdidas do Sri Lanka num safári pelo Parque Nacional Yala.

Apesar de na Europa não possuirmos viagens com foco na vida animal, podes encontrar vida selvagem a passear por entre os trilhos que percorremos na Islândia, ou nos vales verdes do Cáucaso, e ainda alguma vida marinha pelas águas do mar na Itália Sul. Já o Médio Oriente, muito reconhecido pelos seus vastos desertos, oferece-nos a possibilidade de observar por entre estas paisagens cáfilas de camelos a passear pelo mesmo caminho que nós. E em Socotra encontramos talvez a maior biodiversidade da região, um espaço com uma natureza exclusiva deste local e que é lar de várias espécies de animais, tanto em terra como no mar.

E o mais bonito é que, em todas estas viagens, serás apenas um mero observador da vida selvagem, sem nunca interagir diretamente ou danificar de alguma forma os seus ecossistemas. Uma foto não mata nem destrói, pelo contrário, preserva!

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