Alcançar o Mera Peak aos 73 anos não é para todos. Ou será que é?

Maria do Céu Esteves fez parte do grupo de viajantes que, ao lado do líder de viagens Jorge Beleza, se lançou ao desafio de alcançar o cume do Mera Peak, no Nepal, com 6.476 metros de altitude. Uma expedição de 14 dias, nove dos quais em modo trekking, que decorreu no passado mês de maio e que tem já nova data em 2027. A residir no concelho de Oeiras e atualmente reformada, Maria ficou com o bichinho de alcançar este gigante depois de uma outra amiga ter feito a mesma proeza. Engane-se quem pudesse achar que os 73 anos de idade lhe colocariam entraves. Maria não só conclui com sucesso o desafio como 10 dias depois de voltar a Portugal, atirou-se a outra aventura: a Cordilheira Branca, no Peru. Vamos conhecê-la melhor?

1. Como nasceu a vontade de subir ao Mera Peak, no Nepal? 

Não encarei esta viagem como um sonho, propriamente dito, mas antes como um desafio que aceitei. No Nepal, já tinha feito o Campo Base do Annapurna e o Campo Base do Evereste. Faltava-me este!

2. Nesta viagem ao Mera Peak tiveste o Jorge Beleza como líder da experiência. Para ti, que já tinhas subido ao Kilimanjaro na companhia dele, o que podes dizer da sua performance?

O Jorge é uma pessoa calma, eficiente, observadora e atenta permitindo que o caminho se realize sem sobressaltos. Como já tinha a experiência do Kilimanjaro com ele estava confiante com o seu trabalho e acho, honestamente, que o Jorge levará a bom termo qualquer ascensão ao Mera.

3. Partilhaste connosco que a chegada ao cume foi marcada por três momentos: a fase da morte, a fase moribunda e a fase do renascimento. O que sentiste em cada uma deles? É sempre assim nestas expedições?

A subida depois dos 5.000 metros e, especialmente, quando entramos na parte da neve foi difícil para mim. Muito íngreme, não estava à espera de muita dificuldade até ao High Camp, a 5.900 metros, no entanto, cheguei já muito cansada lá, com a agravante de que não dormi nas horas entre o jantar e o “despertar” para a subida ao cume. Foi tudo a somar ao cansaço. Quando cheguei ao topo (felizmente empurrada pelo Jorge), literalmente atirei-me para o chão (considero essa a fase da morte), depois sentei-me (a fase moribunda) e finalmente levantei-me para as fotos da praxe, numa espécie de renascimento. Tudo isto em poucos minutos.

Nas expedições anteriores não senti nada disto, fiz tudo com bastante facilidade, incluindo o Kilimanjaro, já que as outras são francamente mais baixas. Não estou a dizer que não me canso, mas recupero facilmente.

4. Realizaste algum tipo de preparação física para esta ascensão? Em caso afirmativo, queres explicar um pouco melhor?

Faço ginástica praticamente todos os dias, total condicionamento ou pilates, alongamentos ou algo do género.

Quando tenho este tipo de desafios pela frente complemento com trabalho de ginásio, sobretudo trabalho de pernas, core e costas. Mas não sou “escrava” do ginásio: 1 aula, 3 a 4 vezes ginásio por semana, e ala que tenho mais que fazer. 

5. Na nossa conversa telefónica, falaste-nos também do apoio inexcedível da equipa local de sherpas e guias. O que lhes gostarias de dizer, agora volvida a experiência?

No jantar de despedida com toda a equipa que nos acompanhou, agradeci toda a ajuda recebida. Foram inexcedíveis em atenção e apoio.

6. Qual é a melhor memória de viagem que guardas do Mera Peak?

A floresta do caminho para o Mera é lindíssima. Mas guardo com especial carinho as pessoas e, claro, o momento em que alcancei o cume.

7. Tens ideia de quando começou esta tua paixão pelo trekking?

Em abono da verdade não acho que tenha tido uma “epifania” com o trekking, foi mais o achar que ainda era capaz de fazer. 

De resto a primeira viagem de trekking foi aos 70 anos. Corri durante muitos anos, faço caminhadas com assiduidade, mantenho-me em movimento.

 

8. Imaginas-te a viajar com a Landescape numa viagem de descoberta local ou a tua motivação é mesmo esta dimensão do trekking? 

Claro que sim. Gosto de fazer viagens de descoberta local, de resto se fosse possível combinar alguns dias de trekking com a parte cultural acho que seria muito agradável.

9. Que outros destinos ainda gostavas de conhecer?

Muita coisa, o mundo é muito grande. Tenho especial curiosidade por alguns países da Ásia, mas também o Egipto e a América do Norte, com especial interesse pelos parques naturais tanto dos Estados Unidos, quanto do Canadá.

10. Finalmente, para aqueles que nunca experimentaram viajar connosco, e mais em concreto com o Jorge Beleza, tens alguma mensagem que gostasses de partilhar?

A minha experiência das viagens com o Jorge Beleza é muito boa. Quem se quiser aventurar em algo que considere mais difícil, que vá sem medo. Obrigada, Jorge, pelo empurrão para os últimos metros e de partilhares a corda na descida. Até breve!

Apaixonada pela família e com um gosto particular por cinema, literatura e caminhadas na natureza, Maria do Céu Esteves é licenciada em Finanças apesar de nunca ter exercido funções na área. Trabalhou sim como tripulante de cabine e talvez o facto de se ter habituado a ver o mundo desde cima lhe tenha, ainda que inconscientemente, plantado a semente das expedições em altitude. Apesar de afirmar que não tem sonhos por realizar, há uma outra viagem da Landescape a moer-lhe o juízo: Cotopaxi e Chimborazo, Escola de alpinismo na Avenida dos Vulcões, no Equador. Será que a voltamos a ter connosco para o ano?

2 Comentários

  1. Aguinaldo Nicolau Teodoro do Rosario 26 Agosto 2026 (17:42)

    Conheço a CÉU ela é sogra da minha filha e admiro muito as suas aventuras.
    Muitos parabéns a ela e todos que participaram da expedição.

    Responder a Aguinaldo Nicolau Teodoro do Rosario

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