A viagem começou logo com o desafio da subida ao vulcão Acatenango. E até que correu bem, devo dizer. Ao fim de 1.000 horas, pelo menos foi essa a sensação que tive, lá chegámos ao topo e é uma adrenalina imensa ouvir as explosões do vulcão Fuego, ali tão perto. Que experiência! Entretanto chegamos ao acampamento, vimos que o tempo estava bom e (por nossa decisão e como complemento ao programa) decidimos quase todos continuar a caminhada de forma a meter mesmo o dedinho na lava. Ora depois de umas 6 horas a subir, ir agora descer a pique e subir novamente até ao local das erupções e depois ter de voltar novamente para o acampamento, meu Deus! Morri e ressuscitei 50 vezes. Tivemos azar que começou a cair uma tempestade e à chegada ao topo, a visão era zero. Só clarões de lava, cinza no ar, chuva e vento portanto… toca a voltar de imediato e é aí que constato, voilá… onde está a força nas pernas para voltar? Pela primeira vez na vida, tive de usar o poder da mente para comandar o corpo e conseguir chegar de novo ao acampamento. Foi uma aventura e tanto, meu Deus! Mas, estou em crer, que se fosse hoje faria tudo novamente e talvez tivesse mais sorte com o tempo desta vez (risos).
Ainda na Guatemala, quando fomos para o Parque Nacional Yaxha-Nakum-Naranjo, nova aventura. O grupo seguiu em 2 jipes de caixa aberta e como eu tenho sempre sorte, no jipe onde eu ia, literalmente, uma das rodas saltou fora. Desprendeu-se! Resultado: toca a ir a pé até o problema ficar resolvido. O tempo foi passando e quando finalmente tivemos outra vez os 2 jipes prontos a seguir caminho, achei melhor mudar de viatura. Errado! Estava ao lado do condutor do segundo jipe que, a dada altura do percurso, ficou literalmente com a manete das mudanças na mão, portanto aquele jipe morreu! Entre gargalhadas, vimos os nossos companheiros seguirem em frente pelo que nada mais nos restava que umas horas de caminhada a pé. Confesso que por esta altura já rogava pragas a toda a gente, mas sempre com o espírito em altas. Entretanto, mais uma tempestade. Um furacão qualquer do qual já nem me lembro o nome, mas que obrigou ao encerramento do parque, connosco lá dentro. Dividimos o grupo, uma vez que já não dava para todos irem de jipe até ao acampamento e, então, sempre com o espírito de grupo presente, os mais resistentes foram a pé e deixaram os mais cansados ir de carro. Preparamos comida quentinha e agasalhos para os resistentes que vieram mais horas a pé no meio da tempestade e no fim fizemos a festa todos juntos. Amei esta viagem e, a verdade, é que todos estes contratempos acabaram por enriquecer a experiência e torná-la inesquecível!
Aventura, paixão, adrenalina, alegria e uma pitada de loucura, tudo bem misturado dá um cocktail extraordinário que representa muito bem aquilo que tu és como viajante. Bonita e sentida partilha! Bjinho Marta