Viajar até ao Paquistão e Afeganistão pelas palavras de Pedro Santos

Curiosamente, a paixão pelas viagens nasceu quando estudava na Escola Secundária. As aulas de História da Arte, ainda que sem ter essa percepção no momento, foram o motor da sua curiosidade relativamente às grandes civilizações do Mundo, particularmente a egípcia, impelindo-o a querer saber mais sobre estes países e sobre como seria viajar neles. Concretizou o desejo de visitar o Egito aos quarenta e poucos anos, e desde então nunca mais parou. Hoje, com 52, Pedro Santos, que trabalha como Delegado de Informação Médica em Lisboa, revela-se um viajante compulsivo e um explorador de destinos menos turísticos como o Paquistão e o Afeganistão que visitou através do serviço de Viagens Personalizadas da Landescape.

Vamos conhecê-lo melhor na rubrica de Viajante Frequente da Landescape e descobrir como foi esta aventura de uma vida ao longo de 10 dias por um dos territórios mais controversos do planeta.

1. A primeira vez que viajaste com a Landescape foi o ano passado, em Novembro, para o Omã com o líder Rafael Polónia. Como chegaste até nós e que rescaldo fazes dessa primeira experiência?

Cheguei até vocês por intermédio de amigos que fiz em outras viagens, e, que são “viajantes” Landescape. Resolvi fazer o Omã com o Rafael, que foi o melhor “cartão de visita” que podia ter tido, e foi muito bom! Entretanto, já tinha o Expresso do Oriente na calha, e, pelo meio, avançamos com a inusitada visita ao Paquistão e ao Afeganistão.

2. Visitar estes dois países, numa altura em que o Médio Oriente entrou novamente em conflito armado, é um desafio acrescido. O que vos motivou a querer explorar esta região?

A ideia de visitar o Paquistão e Afeganistão surgiu no seio de um grupo de pessoas que têm esta paixão comum pelas viagens, e por destinos “fora da caixa” em particular, sendo que na altura em que isto foi falado não havia nenhum conflito. Não escondo que vivi momentos de alguma ansiedade com o evoluir da situação, até porque são duas frentes de guerra, a guerra no Irão, e, o conflito entre os países que iríamos visitar. No entanto, nunca coloquei a hipótese de desistir, e, portanto, a vontade de conhecer mais dois países numa região do globo que é o berço da civilização, falou mais alto, e, fico muito feliz por tê-lo feito!

3. Nesta viagem foste com mais quatro amigos. Eram inicialmente 9 pessoas no grupo, mas o receio da escalada do conflito levou ao cancelamento de quatro delas. O que te deu segurança para avançar com o plano junto da Landescape?

Sou por natureza um tipo optimista. O facto da Landescape me dar a garantia de que havia condições para fazer a viagem e, ter tido a companhia de mais 4 parceiros, resultou numa experiência que recordarei para sempre, com grande satisfação. 

4. Foram 10 dias a viajar desde Lahore, no Paquistão, até Cabul, no Afeganistão. O que encontraste nestes dois países?

Acima de tudo, julgo ter encontrado dois povos com vontade de viver em paz, progredir e superar dificuldades. Viajar é, sem dúvida, uma grande aprendizagem, que nos permite relativizar as coisas e, se nos distanciarmos da nossa visão ocidental com que costumamos olhar o mundo, provavelmente, chegaremos à conclusão de que é possível a convivência saudável e em paz entre povos, apesar de todas as diferenças. Lembro o colorido que encontrei em ambos os países mas, sobretudo, em Cabul e a facilidade com que nos deparamos com um sorriso.

5. Quais as memórias mais vívidas dessa viagem? 

A experiência em Peshawar, que nos permitiu um contacto mais próximo com a realidade do dia-a-dia das pessoas. O museu também valeu muito a pena, assim como a visita a Taxila para descobrir a sua história. E, naturalmente, a passagem por Cabul, uma cidade caótica com marcas bem visíveis dos conflitos armados nas estradas, nos edifícios, nas pessoas, onde os checkpoints são frequentes e o arame farpado nos muros é uma constante, mas onde, por vezes, julguei poder estar numa qualquer cidade europeia. Por exemplo, quando entrei num shopping e poderia ter comprado umas calças de ganga, ou quando passei em frente a uma farmácia, semelhante às que encontramos em Lisboa, ou quando entrei numa perfumaria, onde o atendimento foi irrepreensível.

6. Há muito preconceito em torno de ambos os países, mas em especial do Afeganistão, fruto, diria, do desconhecimento e da muita desinformação que nos chega. O que podes partilhar das pessoas com quem contactaste? 

Como referi anteriormente, se nos distanciarmos da nossa visão ocidentalizada, conseguimos ver para além do que para nós é óbvio. Ouvi dizer que com a chegada dos Talibãs, as pessoas vivem mais seguras e estão contentes com isso. Ouvi dizer que há um esforço de possibilitar às mulheres a escolaridade além do 6º ano. Ouvi também dizer que há o objectivo de mudar a imagem do país para o exterior. Julgo que será possível, mas levará algumas gerações.

7. Se tivesses que descrever cada um destes países numa frase, o que dirias?

Sobre o Paquistão diria que é um grande país, com uma população empreendedora. Apesar de muito pobre, há oportunidades de negócio a cada esquina. As pessoas levam a sua vida de uma forma honrada, trabalham imenso, não vi muitas pessoas a pedir na rua. 

Sobre o Afeganistão, poderia dizer que é um país em dificuldade, caótico, com uma população muito pouco instruída mas, com um grande potencial. Assim todas as “vontades” convirjam para tal. Há sempre um sofrimento do qual eu não consigo distanciar-me: o das crianças, e, aqui, voltou a marcar-me.

8. E do ponto de vista da segurança, houve algum momento em que se tenham sentido ameaçados ou menos seguros?

Globalmente, tive sempre um sentimento de segurança. A situação mais tensa foi no aeroporto, à saída de Cabul, onde tive de deixar uma cabeça de Buda, esculpida em pedra, comprada em Taxila, já que os Talibãs lhe atribuíram valor arqueológico. 

9. Qual foi para ti o maior choque cultural de toda a viagem?

Apesar de não ser novidade, continua a chocar-me a forma como as mulheres são tratadas nestas sociedades controladas por homens. Ainda assim, a obrigatoriedade do uso generalizado da burka não se verifica.  

10. Durante a viagem, estiveram sempre acompanhados por uma equipa local, com o apoio à distância da Landescape. O que podes dizer do nosso serviço de Viagens Personalizadas?  

O acompanhamento das equipas locais foi sempre feito com grande proximidade, simpatia, atenção aos pormenores e às vontades dos participantes, e, julgo que com a colaboração da nossa parte, resultou muito bem.

11. É um serviço que pretendes voltar a utilizar no futuro? 

Se surgir a oportunidade, sem dúvida.

12. E esta viagem em particular, é algo que recomendarias a outros viajantes experientes? Porquê? 

Já recomendei, aliás. Estando a questão da segurança assegurada, é sem dúvida um programa com grandes potencialidades, naturalmente não para o “turista” tradicional.

13. Entretanto, segue-se o Expresso do Oriente agora em Maio. Quais as expectativas? 

Altas! Tenho este programa debaixo de olho há muitos anos, apesar de já conhecer um pouco do que iremos visitar, com excepção da Roménia e Bulgária, onde nunca estive. 

E, agora, com a motivação extra de ir viajar com amigos de longa data e com a minha irmã.

14. E para o futuro, que novas viagens estão na calha, potencialmente com a Landescape? Há algum novo desafio que gostasses de nos fazer?

Em Setembro viajo para a América do Sul e, em Novembro, vou até África.

Ambas as viagens não são com a Landescape, contudo, não faltará mundo para visitar ao vosso lado.

6 Comentários

  1. Sónia Santos 21 Abril 2026 (17:25)

    ” Somos o resultado dos livros que lemos, das viagens que fazemos e das pessoas que amamos…”
    Autoria do escritor Airton Ortiz

    Sem duvida, esta frase espelha, o ser do meu irmão.
    Cedo se tornou num viajante compulsivo, sobretudo pelo conhecimento cultural.
    Ser humano incrível!!!
    Amigo, divertido, inteligente e principalmente o MELHOR irmão do mundo!!!
    Obrigada mano pela tua partilha vivida nesta experiencia!!
    Adoro-te

    Responder a Sónia Santos
    • Francisco Silva Comunicação Interna e Externa 23 Abril 2026 (10:03)

      Olá, Sónia. Ficamos muito felizes por te ler. É, sem dúvida, um belo testemunho do Pedro! Estamos muito entusiasmados quanto às próximas aventuras que teremos pela frente! Um abraço ☺️

      Responder a Francisco Silva
  2. CARLOS BRITES 21 Abril 2026 (17:28)

    Gostei muito dos comentários do meu amigo Pedro Santos . Pois é uma pessoa que nos intervalos das viagens ainda consegue trabalhar, o que eu vou mesmo de gostar é de ir com ele na experiencia do Expresso do Oriente

    Responder a CARLOS BRITES
    • Francisco Silva Comunicação Interna e Externa 23 Abril 2026 (10:06)

      Bom dia, Carlos. Ficamos muito felizes por saber que vais embarcar connosco na experiência única que é o Expresso do Oriente. Mal podemos aguardar! Obrigado pelo testemunho, e vemo-nos em breve ☺️

      Responder a Francisco Silva
  3. Ana Rodrigues 21 Abril 2026 (23:07)

    Com este depoimento do meu amigo Pedro, a expectativa aumenta em viajar com a Landscape, em breve embarco numa viagem fantástica “ Expresso do Oriente “. Termos um feedback positivo, principalmente de amigos do coração, é meio caminho andado para ser um grande sucesso. 🫶

    Responder a Ana Rodrigues
    • Francisco Silva Comunicação Interna e Externa 23 Abril 2026 (10:07)

      Tão bom saber que assim é, Ana! O Expresso do Oriente é uma aventura única. Dará, certamente, muito mais histórias para contar. Vemo-nos a bordo ☺️

      Responder a Francisco Silva

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