Em Khiva, Património Mundial do Uzbequistão, na antiga Rota da Seda, inicia-se a viagem a uma das regiões menos exploradas da Ásia Central: o Caracalpaquistão. E ao seu mar que encolheu 90%. Miguel Judas, líder de viagens da Landescape precisamente ao Uzbequistão, mas também a destinos como o Irão, o Egito, a Geórgia e a Arménia, Cabo Verde e, ainda, a Itália, assina um artigo de seis páginas para o suplemento FUGAS do PÚBLICO dedicado a este destino.
Reza a lenda que Khiva terá sido criada por um dos filhos de Noé, que algures, no meio do deserto, terá cavado um poço de onde brotava uma água sempre fresca. O que realmente se sabe é que a cidade foi fundada há mais de 2.500 anos por tribos arianas, mais ou menos a meio caminho entre os desertos de Kyzyl Kum e Karakum, junto à actual fronteira com o Turquemenistão – como aliás é várias vezes mencionado nas obras de Heródoto, o historiador e geógrafo grego do século V a.C. Por ser uma das mais importantes urbes da Rota da Seda, sempre despertou a cobiça dos diversos impérios que, ao longo da história, transformaram a Ásia Central num imenso tabuleiro de xadrez. Durante séculos, foi um dos principais centros comerciais da região da Corásmia, integrando redes que ligavam o Médio Oriente à Ásia Central.
Hoje, a par de Samarkanda e de Bukhara, Khiva é uma das urbes que compõem o triângulo dourado uzbeque das cidades património Mundial da Unesco e que anualmente atraem milhares de visitantes de todo o mundo em busca do imaginário da velha Rota da Seda. Poucos são, no entanto, os que se aventuram a seguir um pouco mais além, para oeste, em direção à remota região autónoma do Caracalpaquistão.

