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Como viajar com um bebé?

Não sou especialista em viagens (apesar de o meu companheiro, Rafael Polónia, ser), nem tão pouco em bebés. Sou especialista no meu bebé, tal como o são todas as mães, e todos os dias aprendo coisas novas e adapto-me aos percalços deste novo mundo da maternidade. Nesta reflexão deixo-vos algumas recomendações de como viajar com um bebé, partindo da minha viagem em bicicleta pelo Canal du Midi.

A primeira viagem do Sebastião, com quatro meses e meio

Recentemente encetei a minha primeira viagem fora de Portugal com o Sebastião, o nosso filho de apenas 4 meses, e como podem imaginar, os receios foram imensos. Sou uma pessoa que racionalizo demasiado tudo e não ter (aparentemente) controlo sobre alguma situação, causa-me imensa ansiedade. Tinha receio de ele chorar, de não dormir noutras casas, de ficar doente…coisas que, na verdade, naturalmente e de forma diária, também acontecem nas nossas casas e em ambientes controlados e previsíveis. São crianças, seres pequeninos em desenvolvimento, em constante aprendizagem, com dias em que estão naturalmente mais agitados. Foi com base neste pensamento que decidi guardar os meus receios numa gaveta e partir nesta primeira aventura a 3. Gosto de pensar que é uma mistura de sorte e de profunda conexão com o nosso bebé que faz com que a vida flua positivamente. E assim aconteceu também nesta viagem.

 

O Sebastião esteve sempre, sempre, sempre bem disposto, dormiu lindamente em todos os alojamentos (quando digo que dormiu lindamente, digo dentro daquilo que é expectável para um bebé de 4 meses e meio, ou seja, acordou as vezes habituais), reagiu bem aos transportes e distribuiu sorrisos a todas as pessoas que paravam para interagir com ele. Se foi sempre fácil para nós pais? Claro que não, de longe. Mas em casa também não o é. Foi preciso um pouco mais de improviso do que o normal, para que tudo corresse bem. Mas nas horas das sestas, enquanto pedalávamos ou quando nos sentámos em Toulouse à beira rio a ver o pôr do sol ou quando jantamos num tailandês numa viela movimentada (com ele a dormir no carrinho) ou quando um grupo de crianças se sentou ao nosso lado no comboio e brincaram imenso com o Sebastião, sentimos que estávamos a desfrutar da vida. Há uma ideia generalizada de “a vida acaba quando temos filhos”. É um pensamento extremamente negativo e, na minha opinião, um dos principais motivos que leva as gerações mais novas a não quererem ter crianças. A vida muda radicalmente, é certo, temos sempre em mente as necessidades do nosso pequenino. Mas continuamos pessoas, casais, mulheres e homens sedentos pela vida e por isso o “esforço” de viajar com um bebé/criança vale mesmo a pena. São momentos irrepetíveis, que vamos guardar na memória para sempre e que um dia lhe vamos contar com imenso carinho. São momentos importantes para nos sentirmos nós outra vez e para fortalecer o casal que, muitas vezes com a rotina de um bebé, fica um pouco negligenciado.

Houve também os olhares incrédulos e os comentários sobre porque raio é que quereríamos fazer uma coisa destas. Ele não se vai lembrar. Ou será que vai? Nós vamos de certeza, e foram sem dúvida, dos melhores dias das nossas vidas!

 

Dicas gerais para viajar com um recém nascido

Estas dicas resultaram connosco, nesta viagem em particular, no nosso bebé de 4 meses e meio. Em idades ou circunstâncias diferentes poderá não se adaptar. Tivemos também o cuidado de “testar” irmos de férias várias vezes (uma semana para o Algarve e fins-de-semana aqui mais perto de casa) para ver como ele reagia a outras casas e ambientes. O mesmo em relação ao atrelado da bicicleta, onde sabíamos que ele dorme lindamente. A viagem durou 9 dias, 5 dos quais fizemos a pedalar de bicicleta (o Sebastião no atrelado) entre cidades desde Toulouse até Narbonne.

Considerando a minha experiência e partindo do convite que a Landescape me fez para redigir este artigo, compilei algumas dicas que me parecem fundamentais para que possam viajar com os vossos bebés sem sobressaltos:

  • Respeitar os sonos do bebé. Esta é provavelmente a dica de ouro, pois um bebé com os sonos em dia é mais de meio caminho andado para tudo correr na perfeição. Nunca adiar as sestas, mesmo em situações mais complicadas. Fazer as sestas consoante os sinais de sono e manter a hora de deitar e acordar. Em 9 dias só jantamos 2 dias fora de “casa” para não atrapalhar esta dinâmica;
  • Respeitar a vontade do bebé. Seja em termos de fome, aborrecimento (que quase não existe em viagem) ou não querer simplesmente estar no carrinho. Lembrar que temos de ser nós a adaptar-nos a ele, assim correrá tudo bem;

 

Manter rotinas, distrair o bebé e aumentar a hidratação

  • Não deixar o bebé demasiado tempo acordado. Com as distrações de uma viagem, torna-se fácil esquecermo-nos do tempo a passar e nem sempre o bebé avisa que está a ficar demasiado cansado. No caso de Sebastião (e da maioria dos bebés de 4 meses) sabemos que ele só está “bem” no máximo 2 horas acordado. Sabíamos que ao bater nas 2 horas era tempo de o relaxar e ajudar a dormir;
  • Manter as rotinas possíveis. No nosso caso, o banho ao final do dia, a massagem, a leitura do livrinho, a música do bom dia foram rituais fáceis de “transportar” em viagem. Pequenos gestos que fazem o bebé se sentir em segurança;
  • Aumentar a hidratação. Seja por causa do avião, do calor, do stress, oferecer mais mama/fórmula ou água (no caso de ter mais de 6 meses), manter o bebé hidratado e ter atenção ao número de xixis e cocós;
  • Usar um marsúpio/mochila/pano de babywearing. É uma ótima forma de transportar o bebé. Para a frente ele vai a conhecer o mundo sempre em contacto connosco (sente-se seguro). Virado para nós é a forma mais rápida e fácil de fazer mais uma sestinha;
  • Em momentos de tensão, distrair, distrair, distrair. Os transportes públicos, por vezes, foram um desafio por irem muito cheios e o Sebastião queria sair do carrinho ou comer mas naquele ambiente não dava muito jeito. O que resultava era falar com ele, cantar-lhe, distraí-lo com o bilhete colorido do metro. Vale tudo!

Privilegiar alojamentos de tipologia T1 e ter um bom seguro de viagem

  • Não estar o dia todo fora de casa. Nuns dias saíamos ao final da manhã e início da tarde, noutros passávamos a tarde toda fora, mas manhã é em casa. Para evitar que o bebé fique demasiado estimulado;
  • Ter um saquinho sempre connosco (à mão) com tudo aquilo que poderíamos precisar. Uma muda de roupa, chapéu, casaco, fraldas, musselina, repelente, protetor solar, toalhitas, livrinho (para distrair), tapete muda fraldas e água termal (para refrescar e para pequenas irritações);
  • No avião pôr o bebe a mamar (mama/biberão/chupeta) na descolagem e aterragem. Não só ajuda a não estranhar o barulho como alivia a pressão nos ouvidos. A viagem que fizemos durou 1h15. Para lá foi sempre acordado (distrair, distrair, distrair), para cá sempre a dormir;
  • Escolher alojamentos T1 em vez de T0. Nos dias em ficamos em T0, como estamos sempre todos na mesma divisão, era mais difícil adormecer. O quartinho à parte ajuda bastante e numa próxima vez teremos isto em consideração sempre;
  • Ter um saquinho de primeiros socorros. Para esta viagem levamos creme para picadas de insetos, tesoura, compressas, soro fisiológico, bebegel, bepanthene e ben-u-ron;
  • Fazer um seguro de saúde. Com um bebé pequeno e em tempos de pandemia, um seguro é realmente importante. Fizemos não só para o Sebastião, mas para nós também. No nosso caso, cobria também acidentes em desportos de aventura (como foi uma viagem de bicicleta) e tratamento e assistência no caso de alguém contrair Covid19.

 

Artigo escrito pela Carolina Pinheiro, co-fundadora do projeto Myintegralis, que visa tornar a cozinha vegetariana acessível a todos, mãe do Sebastião e viajante amadora nos tempos livres.

Se gostaste deste artigo sugerimos-te que leias uma outra publicação do nosso blogue chamada “De bicicleta, talvez a forma mais bonita de viajar”.