A actriz Diana Nicolau e o preconceito de viajar em grupo

A atriz portuguesa, reconhecida pelos seus papéis no cinema, teatro e ficção nacional, desde cedo nos habituou a viajar sozinha. Determinada, aventureira e sempre pronta a abraçar um novo desafio decidiu juntar-se à Landescape e ao líder de viagens Diogo Tavares, em Outubro do ano passado, para percorrer o trilho dos Annapurnas, no Nepal, e com isso quebrar o preconceito que admitia ter de viajar em grupo numa expedição organizada. É no rescaldo dessa experiência que fomos falar com ela para perceber o que mudou na sua visão.

Diana Nicolau nasceu em Lisboa na década de 80, mas foi em Alcobaça que cresceu e passou grande parte da sua infância acompanhada da irmã e dos pais. Mais tarde, com apenas 16 anos, regressou à capital, sozinha e determinada a seguir os estudos na área da representação. Encontrou na Escola Profissional de Teatro de Cascais o seu espaço para crescer enquanto actriz e é nessa altura que recebe o convite para integrar o elenco da quinta temporada da conhecida série “Morangos com Açúcar”, líder de audiências na televisão nacional.

A curiosidade por conhecer sítios e pessoas novas esteve sempre lá, confessa, mas foi em 2015, depois de um voluntariado de três meses em Kibera, a maior favela de África, no Quénia, que se lançou ao universo das viagens de uma forma mais regular. Percebeu que o mundo era demasiado grande e a vida demasiado curta, o que a empurrou a começar a viajar a solo. Hoje, com 37 anos, vive entre Lisboa e as suas road trips na Lorenza – uma carrinha que customizou à medida dos seus sonhos e que a tem levado por diversas paragens dentro e fora de Portugal – e é membro fundador do Rotaract Club de Lisboa que reúne estudantes e jovens líderes profissionais, espalhados por todo o mundo, que encontram soluções inovadoras para lidar com os atuais problemas do mundo.

Foi no intervalo da sua peça “Desconfortável, um monólogo” que a recebemos na Landescape, primeiro no Nepal para uma edição liderada pelo Diogo Tavares, e, mais tarde, no Sri Lanka para uma viagem personalizada de duas semanas. Vamos lá descobrir como foi esta aventura?

1. Quando começamos a conversar sobre o teu potencial envolvimento com a Landescape, manifestaste um certo preconceito com a ideia de viajar em grupo, algo que de resto é muito comum a quem está habituado a viajar sozinho. De que tinhas receio ao certo?

Tinha medo de estar num grupo que pudesse comprometer a minha liberdade, que me castrasse e me obrigasse de alguma forma a estar à altura das expectativas dos outros. Quando viajo sozinha gosto muito de deixar margem para o improviso, de não planear muito para deixar as coisas fluírem. Acredito que quando se viaja sozinho há experiências muito ricas, tanto no contacto com os locais como com outros viajantes, que não surgem com a mesma espontaneidade quando se viaja em casal ou em grupo. Afirmo mesmo que há uma riqueza gigante em viajar sozinho e poder superar uma série de obstáculos, a imersão no autoconhecimento que uma solo trip permite é impagável. 

2. Sentes que depois desta experiência pelo Nepal essa ideia mudou? 

O tipo de pessoas que viajam contigo vai muito ao encontro do tipo de viagem que escolhes. A viagem ao Nepal era uma viagem de aventura, com desafios físicos e mentais, como a superação de longas horas de caminhada em montanha, altitude, condições climatéricas extremas, etc. – o que para muita gente não representa um destino ideal para “gastar” os seus 15 dias de férias, e eu entendo isso perfeitamente. As viagens de aventura não são para todos. Tal como as viagens de resort, regime tudo incluído e papo para o ar, não são para mim. Mas quem escolhe este tipo de viagem de aventura, são pessoas que provavelmente têm bastante em comum comigo, e isso é meio caminho andado para fazer um bom grupo. Foi o que aconteceu com este grupo no Nepal. 

3. Que balanço fazes desta viagem pelo Nepal com a Landescape? Como foi a comunicação com a agência, o acompanhamento durante a viagem, a prestação do líder, a convivência com o restante grupo, as atividades propostas, etc.?

Melhor do que dizer que foi tudo incrível, é dizer que mal posso esperar para viajar convosco outra vez. Tiro o chapéu à Landescape, vocês fazem isto como ninguém. 

Acredito que sejam experiências muito diferentes de pessoa para pessoa, e dependem muito do grupo e do líder, mas eu tive muita sorte com eles. Já sabia que o destino e o plano proposto iam ser incríveis, mas tanto o grupo como o Diogo Tavares e a Landescape fizeram desta viagem em grupo, uma viagem inesquecível.

4. E conhecendo tantos lugares como conheces, o que achaste do Nepal? Como foi o teu contacto com os locais? 

Eu sou uma viajante que foge dos turistas e procura os locais. É no contacto com os locais que se conhece um país. Nada contra, mas quem viaja de hotel em hotel, de transfer em transfer, só come comida ocidental e com a qual está confortável, e nem procura aprender a comunicar o básico na língua nativa, não está a viajar nem a conhecer nada. O Nepal é um dos países mais fáceis para conhecer locais e para se perder na cultura. Os nepaleses estão no meu top 3 de povo mais amigável e disponível. Ainda ontem me saiu uma frase em nepalês e, claro, ninguém entendeu porque estou no Vietname. Já passei por mais 4 países depois de sair do Nepal, mas houve coisas que me ficaram gravadas. O Nepal e os nepaleses são realmente especiais. 

5. Nesta viagem, que é pensada para amantes de aventura e natureza, e que por isso mesmo pode ser desafiante, como foi para ti o percurso pelos Annapurnas?

Achei que seria mais difícil. Acho que me preparei mentalmente para um desafio maior e, talvez por isso, não tenha sofrido tanto. Acordava todos os dias feliz e com energia, porque a natureza e as paisagens em que estivemos mergulhados, durante os 10 dias do percurso eram tão avassaladoras que nem me deu para sofrer. Achei que ia ter problemas com a altitude e com as horas de caminhada, mas na verdade fiz tudo com uma perna às costas. Se tivesse de escolher a coisa menos boa… talvez o frio à noite. Mas nada que um chá e três pares de meias não resolvam. 

6. Das grandes cadeias montanhosas dos Himalaias às belíssimas tradições culturais deste país, qual foi o momento desta viagem que mais te marcou?

Houve vários momentos ao longo do percurso, como o dia duro e emotivo em que percebemos que morreram mais de 200 pessoas no terramoto que se deu a 100 km de onde estávamos. Mas o último dia, a manhã em que nos despedimos do Annapurna Base Camp e celebramos com os nossos porters e guias locais, foi especial. Cantámos e dançámos como crianças depois de ver o nascer do sol mais incrível de sempre. Foi mágico. Fico emocionada só de me lembrar. 

7. Entretanto, despediste-te do grupo e seguiste para o Sri Lanka, onde te desenhamos um itinerário. Como descreves esse serviço adicional da Landescape?

Este serviço foi uma surpresa para mim, porque é onde passo mais tempo na pré-viagem, a desenhar o itinerário (mesmo que muitas vezes depois não o cumpra), a pesquisar sobre o país, ler blogs, reviews, estabelecer planos, comparar preços, etc. E tudo isso a Landescape fez por mim. Foi a primeira vez que me mandei para um país sem ter rigorosamente NADA planeado. Foi meio assustador e meio reconfortante ao mesmo tempo. Confiei plenamente na Landescape, e mesmo não tendo cumprido o plano à risca, só o facto de ter um itinerário com os highlights do país e opções de coisas para fazer, sítios onde dormir e restaurantes onde comer, com direito a comentários e dicas de quem conhece bem o país (neste caso, do líder Rafael Polónia), foi mil vezes melhor do que podia imaginar. Poupou-me tanto tempo. Sempre que tinha dúvidas para onde ir e o que fazer, em vez de perder horas a pesquisar online, ia ao itinerário que me fizeram e tomava a minha decisão. 5 estrelas. Confesso que ali a meio da rota, decidi dar o meu toque pessoal no plano que me fizeram, porque gosto de planear, mas cumprir já é outra conversa. 

8. Num dos teus posts lemos que dizias que a Landescape é como uma mãe que te dá aqueles conselhos úteis antes de saíres de casa. O que gostarias de recomendar-nos para melhorar no futuro?

Hum… boa pergunta. Sinceramente não melhoraria nada. Acho que o vosso acompanhamento pré e durante a viagem é incrível. No plano que fizeram até incluíram coisas como: “leva um casaquinho que podes ter frio à noite!” Ahahah. Autêntica mãe.

9. Sentes que a viagem se tornou mais completa pelo apoio que te demos?

Sinto que o plano que me fizeram para o Sri Lanka me deu uma óptima base para começar a viajar sem ter de me preocupar com nada. E os dias fluíram bastante bem, ao seguir as vossas recomendações. Aliás, pude até aconselhar outras pessoas que fui conhecendo, sobre sítios onde ainda não tinha estado, mas que estavam no vosso plano. 

10. De todos os destinos que já visitaste, consegues eleger um top 5? Consegues justificar o porquê?

Difícil, mas vamos tentar. Eu digo sempre que o que faz uma viagem são as experiências e as pessoas, mais do que os destinos em si. 

Vá não consigo deixar a Colômbia de fora, por isso top 6 ok?

6ª posição: Colômbia, pela diversidade de paisagens e gente maravilhosa. Estive um mês no país e corri-o de Norte a Sul;

5ª posição: Uruguai. Muitas vezes subestimado, é um país super progressista no que toca a políticas sociais e ambientais. Estive quase 3 meses e adorei especialmente pelas pessoas que conheci e pelos lugares despretensiosos mas cheios de alma;

4ª posição: Açores. Impossível não amar, a natureza crua é avassaladora. Sempre que vou tenho vontade de me mudar para lá;

3ª posição: Sri Lanka. Achei que seria uma “Índia mais soft” e foi uma surpresa gigante. Uma ilha tropical com tudo: montanha, praia, surf, selva, cidade, história, comida deliciosa. Não houve nada que não gostasse. 

2ª posição: Nepal. Os Himalaias não deixam ninguém indiferente e os nepaleses conquistaram o meu coração. 

1ª posição: Brasil. Para ser sucinta, o bom supera em grande escala o mau. 

11. Quais são os objectos que não dispensas numa mochila de viagem?

Além do óbvio: lanterna, canivete, livro (costumo comprar autores locais e depois trocar com alguém), phones, bloco de notas, microfone (para poder trabalhar à distância), kit de primeiros socorros, power bank (ficar sem bateria para fotografar ou filmar é que não). 

12. O que sentes que ter viajado com a Landescape acrescentou nesta experiência conjunta de uma viagem em grupo + viagem personalizada?

Não sei se isto é de mim ou se também vos acontece, mas quando estou em viagem costumo fugir de portugueses. E nesta viagem não tinha como fugir deles (risos), e essa foi das melhores partes da viagem: o grupo de portugueses e o conhecimento do Diogo sobre o país e sobre o percurso. Fez com que tudo fosse muito descomplicado e seguro. 

Já na viagem personalizada, ter a papinha toda feita deu-me tempo para me dedicar a outras coisas. 

13. E para o futuro, que novos destinos estão na calha? Gostavas de fazer alguma nova viagem com a Landescape?

Estou só à espera de voltar a ter tempo para me lançar noutra aventura. Estou neste momento numa paragem de autocarro à espera do transporte que me vai levar numa viagem de 8 horas do centro ao norte do Vietname. Ainda não saí da Ásia e já só penso em voltar.

14. Para aqueles que nunca experimentaram viajar connosco, que mensagem gostarias de partilhar?

Para os que dizem que não viajam porque não têm companhia, ora com a Landescape já não têm desculpa. Eles encontram-vos a companhia perfeita. 

Para quem diz que não viaja em grupo porque prefere viajar sozinho, olhem para mim e decidam por vocês. 

Para quem tem medo de arriscar ir numa viagem sozinho, então comecem por viajar com a Landescape (sozinhos, mas em grupo) e depois começam a ganhar-lhe o gosto. 

E para quem não tem ideias, jeito, tempo para organizar, a Landescape faz isso tudo por vocês. 

Seja como for, ponham dinheiro de lado, e lancem-se numa viagem “desconfortável”. Essas experiências são as que nos definem e as que nos fazem crescer. E as que temos em viagem, são únicas. Força!

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