VIAGEM ETIÓPIA - Uma viagem no tempo

com António Pedro Moreira

Viagem Nova
13 a 27 Fev 2027
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O que está incluído?

Alojamento
13 noites em hotel/guesthouse
1 noite em tenda
1 noite em comboio noturno

Refeições
Todos os pequenos almoços
7 almoços
5 jantares

Atividades:

  • Tour da Depressão de Danakil
  • Tour das igrejas de Gheralta
  • Tour do Vale do Omo, com visitas às tribos e às aldeias de Konso e Dorze
  • Igrejas de Lalibella
  • Mosteiro de Lalibella
  • Centro histórico de Harar

Transporte durante toda a viagem
Exceto de carácter pessoal

Acompanhamento da líder da Landescape

O que não está incluído?

  • Voos internacionais
  • Transfers de/para aeroporto no voo internacional
  • Atividades e visitas extras
  • Alimentação não especificada (cerca de 25€/dia)
  • Despesas pessoais e gorjetas
  • Transferes de/para o aeroporto
  • Seguro de Viagem (obrigatório)
  • Quarto single (contactar o Apoio à Viagem para mais informações)

Diário de Bordo

Dia 1 - Chegada a Addis Ababa

Um Olá, a Addis Ababa.

Hoje é dia para descansarmos e nos ambientarmos à capital daquele que é o único país de África que nunca foi colonizado. País acerca do qual conhecemos o nome, talvez algumas histórias tristes dos anos noventa… e pouco mais. Como poderá então surpreender-nos?

O dia é totalmente livre mas, dependendo da hora de chegada de cada pessoa, talvez possamos planear a visita a alguns museus para darmos início ao profundo mergulho que será esta odisseia.

Estadia: Hotel

Dia 2 - Addis Ababa - Semera (Danakil)

Hoje voamos muito cedo para podermos aproveitar ao máximo, este dia. Aterramos em Semera pouco depois das oito, entramos nos jipes e seguimos rumo à Depressão de Danakil, um dos lugares mais inóspitos do planeta. Está quente, o horizonte confunde-nos, ora com uma leve poeira, ora com planícies que sugerem uma infinitude difícil de perceber. O calor sobe do chão como se tivesse vontade própria e a meio do dia finalmente chegamos ao Lago Asal, que nos oferece um pôr-do-sol silencioso e ao nosso redor, uma planície de sal a perder de vista.

Estadia: Acampamento

Dia 3 - Danakil (Dallol)- Hawzen

Acordamos cedo, porque aqui o calor não perdoa. Depois do pequeno-almoço vamos para Dallol, que surge de forma impressionante: amarelos, verdes e laranjas ácidos, vapor a sair da terra, formas que parecem vivas. Caminhamos com cuidado a tentar perceber em que planeta estamos, como se o chão nos pudesse levar para o cento da terra, sempre extasiados com o quão peculiar é tudo aquilo que nos envolve. Deixamos depois este mundo quase extraterrestre para trás e subimos em direção a Hawzen. Aos poucos, surgem montanhas, aldeias, vida. A Etiópia muda outra vez.

Estadia: Hotel

Dia 4 - Igrejas de Gheralta

O dia começa com uma subida que não se esquece. Pedra, inclinação, silêncio. As igrejas de Gheralta, como Abune Yemata, obrigam-nos a ganhar cada passo. Lá em cima, o esforço dissolve-se numa paisagem aberta, infinita. Dentro das igrejas, há pinturas, há história, há uma espiritualidade crua.

NOTA: Se as igrejas de Daniel Korkor e Mariam Korkor são acessíveis com algum esforço, a igreja de Abune Yemata requer uma escalada de cerca de oito metros que, sabemos, pode estar acessível à vontade de todas as pessoas, mas percebemos que requer perícia, coragem e não ter vertigens. Há buracos escavados nas paredes e guias que nos dizem exactamente onde colocar os pés e as mãos e que nos apoiam. É um pequeno esforço difícil,  mas que não requer nenhuma força suprema ou experiência de escalada.

Estadia: Hotel

Dia 5 - Hawzen - Mekelle - Addis Ababa

Descemos das montanhas e regressamos, aos poucos, ao movimento. Mekelle surge como um ponto de transição antes de voltarmos a Addis Ababa, deixando para trás o silêncio das zonas altas e entrando novamente no ritmo mais denso do país. Já na capital, à tarde, subimos ao Monte Entoto. A estrada sobe rapidamente e, à medida que ganhamos altitude, a cidade vai-se revelando em camadas. Do topo, Addis Ababa estende-se lá em baixo — vasta, irregular, em expansão contínua — uma malha urbana difícil de ler à primeira vista, mas cheia de vida e movimento constante. Parados ali, acima da cidade, há um momento de distância que ajuda a organizar o que acabámos de viver. É um primeiro olhar mais calmo sobre um país que raramente o é. Depois, regressamos à cidade, ainda com essa imagem no olhar, antes de seguir viagem.

Estadia: Hotel

Dia 6 - Addis Ababa - Arba Minch

Voamos para sul e, uma vez mais, a paisagem muda por completo. Arba Minch traz água, vegetação densa e um clima mais húmido, quase tropical, contrastando com aquilo que vimos até agora. Visitaremos o Lago Chamo, onde a vida se organiza em torno da água, e seguimos depois para Dorze, uma aldeia nas montanhas conhecida pelas suas casas altas de bambu e fibras naturais, construídas com formas que parecem mais esculpidas do que erguidas. Permanecem frescas por dentro, adaptadas ao clima e ao modo de vida local, lembrando que a arquitetura também nasce da necessidade e da relação com o lugar.

Estadia: Hotel

Dia 7 - Vale do Omo - Turmi (Konso)

Entramos no Vale do Omo, onde muitas coisas parecem acontecer a outro ritmo. Em Konso, encontramos comunidades organizadas em torno da agricultura, terraços construídos à mão ao longo de gerações e uma relação muito direta com a terra e com os recursos disponíveis. À medida que seguimos para Turmi, a paisagem torna-se mais seca, mais aberta e mais distante daquilo a que estamos habituados. As estradas alongam-se, os sinais do quotidiano europeu desaparecem aos poucos e começamos a entrar numa parte da viagem onde observar será provavelmente mais importante do que tentar compreender tudo de imediato.

Estadia: Hotel

Dia 8 - Vale do Omo (Karo & Bana)

Hoje, o foco são as pessoas. Visitamos comunidades Karo e Bana, aproximando-nos de formas de vida moldadas por realidades muito diferentes das nossas. Há curiosidade mútua, observação dos dois lados, e uma sensação constante de estarmos perante algo que não pode ser reduzido a fotografias ou exotismo. Os corpos pintados, os adornos, os olhares diretos e os gestos simples fazem parte do quotidiano destas comunidades, não de uma encenação para quem chega de fora. Movemo-nos, por isso, com cuidado e respeito, conscientes de que estamos apenas de passagem num mundo que não nos pertence e que não existe para ser consumido como atração.
Estadia: Hotel

Dia 9 - Jinka - Addis Ababa (Mursi)

Visitamos os Mursi, provavelmente uma das comunidades mais conhecidas do Vale do Omo, onde algumas mulheres continuam a usar discos labiais como forma de expressão estética e identidade cultural. As escarificações presentes em muitos corpos — feitas através de cortes na pele que cicatrizam em relevo — são também parte de tradições de embelezamento e pertença que nos parecerão distantes e vão desafiar os pressupostos com os quais chegamos aqui. Depois, regressamos a Addis Ababa. Após dias passados em regiões remotas, o ruído, o trânsito e o movimento constante da capital surgem quase como um choque sensorial, lembrando-nos da velocidade e densidade do mundo urbano ao qual estamos habituados.
Estadia: Hotel

Dia 10 - Addis Ababa - Lalibela

Lalibela recebe-nos com silêncio e recolhimento. À tarde, descemos às igrejas escavadas na rocha, escondidas abaixo do nível do solo e quase invisíveis à distância. Em vez de se imporem na paisagem, revelam-se aos poucos, à medida que caminhamos pelos corredores e passagens abertas na pedra. Entre elas circulam pessoas vestidas de branco, muitas em peregrinação ou oração, mantendo práticas religiosas que aqui fazem parte do quotidiano há séculos. Mais do que um monumento, Lalibela continua a ser um lugar vivido, onde espiritualidade e rotina permanecem profundamente ligadas.
Estadia: Hotel

Dia 11 - Lalibela (Mosteiro e Igrejas)

Subimos de manhã até um mosteiro escondido na montanha. O caminho é exigente, feito a pé e em silêncio, mas vai-se abrindo à medida que ganhamos altitude. Lá em cima, o mundo parece ficar distante — não apenas fisicamente, mas também no ritmo e na forma como o tempo se sente. À tarde, regressamos às igrejas de Lalibela, para as ver novamente, com outro olhar, depois da manhã passada fora da cidade e da sensação de distância que a montanha nos dá.
Estadia: Hotel

Dia 12 - Lalibela - Addis Ababa - Dire Dawa

Regressamos a Addis Ababa e seguimos de comboio para Dire Dawa. A viagem noturna introduz um ritmo diferente — mais lento, mais contínuo, quase hipnótico — em contraste com a intensidade dos dias anteriores. À medida que a paisagem passa pela janela no escuro, a experiência deixa de estar nos lugares e passa a estar no próprio movimento. É um daqueles momentos em que viajar não é apenas ir de um ponto ao outro, mas estar suspenso no intervalo entre os dois.
Estadia: Comboio noturno

Dia 13 - Dire Dawa - Harar

Harar é um labirinto de cores, cheiros e histórias. Um centro antigo, marcado por influências culturais e religiosas diversas, onde as ruas estreitas parecem desenhar um mapa feito mais de encontros do que de direções. Perdemo-nos de propósito, deixando que a cidade dite o percurso. À noite, assistimos ao ritual de alimentação das hienas, uma prática antiga que acontece fora das muralhas da cidade — um encontro improvável entre humanos e animais, mantido ao longo de gerações e hoje também atravessado pelo turismo.
Estadia: Hotel

Dia 14 - Harar - Koromi - Addis Ababa

Visitamos Koromi, uma aldeia onde o quotidiano se mostra de forma direta, sem encenação nem distância. Observamos rotinas simples, ritmos repetidos e uma relação muito prática com o dia a dia, numa continuidade que não depende de quem chega de fora. Mais tarde, regressamos a Addis Ababa. À medida que a viagem se aproxima do fim, instala-se uma sensação discreta de fecho, como se tudo o que vimos começasse, aos poucos, a ganhar lugar dentro de nós — não como um resumo, mas como algo que se vai organizando com o tempo.
Estadia: Hotel

Dia 15 - Addis Ababa - Origem

Partimos com mais do que trouxemos. A Etiópia não é um destino fácil — mas é precisamente isso que a torna inesquecível. Fica no corpo, no olhar, e sobretudo na memória.

Estadia: Hotel

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Sobre o Líder


António Pedro Moreira

Aquilo que trago de mim no regresso de cada viagem, partilho em histórias. Saber mais

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